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Leitura concluída: A maçã envenenada, de Michel Laub

 


Outra leitura surpreendente. Logo depois de ter terminado "O diário da queda", embarquei na segunda narrativa desse autor e gostei ainda mais dessa do que da primeira. O autor, novamente toca muito fundo nas questões humanas, dessa vez voltando cerca de 20 anos no passado, para os anos de 1993/1994, quando uma série de acontecimentos marcam a sua vida para sempre.

Como é característico do autor - pelo menos nessas duas obras que li dele, foi - ele nos conta essa sua história aos poucos, intercalando os acontecimentos da época com os pensamentos dele no momento em que narra a história, acrescentando aqui e ali comentários, buscando compreender a vida do presente ao narrar seu passado.

E nesse passado estão o quartel que ele teve que servir aos 18 anos, um amigo cujo apelido era Unha, uma banda na qual ele era guitarrista, uma namorada chamada Valéria e seu relacionamento conturbado com ela. Também estão Kurt Cobain e a vinda do Nivana para São Paulo em 1993, suicídio do cantor em 1994, o genocídio da Ruanda que iniciou quase ao mesmo tempo que o suicídio, e que é apresentado sob o ponto de vista de uma garota chamada Immaculée Ilibagiza - que escapou da morte ao passar 90 dias escondida num banheiro com outras seis mulheres -, um acidente de carro que o narrador/autor sofre, uma viagem para Londres e a decisão por não mais cursar Direito para começar a carreira como jornalista.

Aos poucos vamos descobrindo como um acontecimento está ligado ao outro e o quanto cada um deles foi importante e marcante. No meio disso tudo, vamos percorrendo assuntos como a militarização e a vida nos quarteis, a dificuldade de comunicação (mais uma vez, assim como em "O diário da queda", mas dessa vez entre jovens ou em uma geração de jovens), a busca pelo sentido da vida, as relações amorosas, a paixão, as drogas e o álcool, a deterioração da linguagem assim como dos seres humanos e de seus valores, o sofrimento e a dor física e emocional, e sobretudo o suicídio.

Nem preciso dizer o quão intenso e o quanto esse livro nos faz refletir, né?! E essa história, assim como no livro que falei no post anterior, também se passa na maior parte do tempo em Porto Alegre, o que ajuda os leitores sulistas a se identificarem.

Então, dito isso, deixo mais essa sugestão de leitura. Com uma recomendação forte, porque vale a pena mesmo.

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